abordagens do avesso

  sempre tive certo fascínio pelo avesso Tereza brigava comigo porque vivia puxando os bordados pelo avesso da linha por onde ninguém lê eu queria saber do mundo escondido atrás daquilo que meus olhos viam a hora por trás do  ponteiros do relógio o azul detrás do pôr do sol os céus atrás do voo […]

Mais uma variação do mesmo poema

    Quando nasci um anjo de asas de bronze tomadas por zinabre velava minha insônia de uma cantoneira na sala sombria onde disputava espaço com um rádio rabugento chiando, engasgado a ondas sonoras sob um pano quadriculado em crochê, empoeirado e com um relógio de parede pingando o tempo que imitava a torneira da […]

O poema

o poema enfim assenta ao corpo todos os meus pecados, voo livre pro peso dos desejos que encharcam as asas dos anjos   há os céus e a cidade da menina que adora os livros que recitam o corpo dela pelas ruas   e ele recende mais do que as hastes de rosmaninho  

Bordados

  Olho a cidade à noite: um bordado a ponto de luz guiando os olhos pelo corpo de suas ruas   numa gaveta nalgum canto dentro de casa a toalha branca bordada a ponto de cruz pelas mãos de Teresa   o inverno de anuncia lá fora no tempo  

Poeta de mim

    Eu sou o poeta do quintal aqui de casa,   de seus mistérios e de suas mitologias mínimos   do silêncio de suas pequenas vozes, polifônicas, por vezes, sem ancestrais ruídos   canto do desafino do canto dos galos – do engasgo do galo gago   o desando dos caminhos tortuosos da formiga […]

Diálogo

  O poeta despojado das grandes árvores do jardins conhecidos pela primavera trazida ao corpo   olha apenas o quintal de sua casa por onde grassa na contramão de tanto secura pequenas plantas rizomáticas a florir quase sem perfumes   os lilases da América púrpura ficam longe e vêm na lembrança da manta espessa que […]