Mariana

  (À memória de Zizi Sapateiro)     As ladainhas perderam o fôlego e a voz, ladeiras acima   a cidade é um vulto visto sob o risco viável do arco-íris   o desejo se apaga qual chama trêmula de derradeiro lampião do século passado   a curva de rua por onde se perde uma […]

O banho

  O banheiro da casa da Rua Sebastião de Castro Lima cheirava a flores aos domingos depois do banho das primas que vinham das fazendas para a missa das 10 e o passeio dominical pela cidade   a semana sempre começava, então, por esta estação primaveril do corpo das primas   menino, impressionável, eu rezava […]

O jardim da Leopoldino Januário Pereira

  Manhã límpida de junho. O véu de nevoeiro ainda é absolutamente frágil. Quase incolor ou ilegível pelo corpo das montanhas ou pelos telhados mais altos dos sobrados que resistem aos séculos daqui da cidade de onde olho para o jardim de Urucânia. O sol que por aqui abraça toda cidade, tem um morno que […]

Drummond

               (Ao Gilson José de Oliveira)     Na sacola no mercadinho a alface úmida combina com os versos de Drummond ao corpo,   como na revista a morna pele nua da Aldine Müller combina com os versos de Drummond ao corpo,   como a poeira de minério e a pedra formam o delicado […]

Uma história de amigas

  (Para Moema, Manu e Ana Lydia)   E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?                               (José Saramago – A maior flor do mundo)     Esta é uma história de amizade. […]